14-05-2008

Alguma espécie de sentido

    Então, vamos lá, não solta da minha mão: o grande Gatsby tem uma Alison e ela se chama Daisy! Não havia orkut, muito menos email, mandar sms não era uma arte, o que havia era a sala de estar e o gramado, todo um processo antigo de sedução, mandar música no youtube nem pensar, estala o dedo, chama o pianista, muito mais fácil, toca, Sam, toca, criados entram e saem, os convidados falam sobre Michelângelo, já medimos nossas vidas em colherinhas de café, cinco meses em outubro último, ela não tem Nonouse, nunca foi a Paris, nostalgia de quê, se me telefonarem só estou para Maria, você já observou uma roda gigante?, deixei crescer uma barba de Bob Dylan, eu não sei tocar mas se você pedir assovio uma ária, hoje tem jogo, o calendário atrapalha, entre a cruz e a espada, eles não sabem nada sobre a nossa alma, mas a fé ilumina os analfabetos, feitos de sonhos, abismos e rosas, todos dormem agora, eu só uso adoçante e sempre esqueço de passar o fio dental, que seja doce, pois, ontem não fez estrela, talvez chova depois do almoço, a gente se vê por aí - ligue, se fizer sol.

09-05-2008

O fim da picada

   Há quem nos censure por usar essas expressões - bonitão da bala chita, rei da cocada preta - mas enfim: isso de mostrar os pais assassinos no meio de uma Libertadores da América foi o fim da picada. (Oh, abraços aos flamenguistas! Futebol, com Diego Tardelli, é assim mesmo. E viva Mr. Santana! E salve o Imperatore!)

05-05-2008

Feliz dia do trabalho!

    Passou, e até esqueci: no tempo em que sabiam conversar.

Afinação da exterioridade

    Depois ainda tem gente que não entende por que diabos Radiohead é bom, muito bom, mais do que bom.

22-04-2008

Os amantes sem dinheiro

     Tinham o rosto aberto a quem passava.     
     Tinham lendas e mitos     
     e frio no coração.     
     Tinham jardins onde a lua     
     passeava de mãos dadas com  a água     
     e um anjo de pedra por irmão.      
           
     Tinham como toda a gente      
     o milagre de cada dia      
     escorrendo pelos telhados;      
     e olhos de oiro      
     onde ardiam      
     os sonhos mais tresmalhados.      
           
     Tinham fome e sede como os bichos,     
     e silêncio      
     à roda dos seus passos.     
     Mas a cada gesto que faziam     
     um pássaro nascia dos seus dedos      
     e deslumbrado penetrava nos espaços. 
             
      Eugénio de Andrade