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26-11-2007

I read the news today, oh boy

    Sobre um cara que viu a mina no metrô e criou um site pra ver se a encontrava, e eu tive que rir, a internet permite cada loucura, veja os que se apaixonam via msn, pega o meu hotmail, me adiciona, compartilhe arquivos, mas passe anti-vírus, salve nossas conversas na pasta esquerda do peito, tatue meu nickname no seu processador, eu sei, você sabe, os nerds não conhecem o paraíso, que existe, mas não funciona porque falta memória, enfim, onde andará caio f., andando pelas ruas de madrugada vi quatro moleques da altura da minha cintura pichando o muro, um deles fumava e tive medo, pensei em Cidade de Deus, deixe-me ir preciso andar vou por aí a procurar sorrir pra não chorar, não iria dar tempo de acionar a trilha sonora, se alguém por aí perguntar diga que eu só vou voltar depois que me encontrar, nem isto nem aquilo, choveu depois fez sol nas bancas de revistas, especialista em perder ônibus na cidade-sanduíche, roubei o jornal na portaria, venta muito no quarto andar, mas eu prefiro abrir as janelas pra que entrem todos os insetos, porque este calor deixa a gente comovido como o diabo, falando nele, Dunga ¿por que no te callas?, o relógio vai soar, quem se importa, preciso manter 75% de presença até 22 de dezembro, eu que não sou muito católico nesse quesito e ainda tenho aula com Deus todos os sábados, eu já não sei se eu tô misturando, ah, eu perco o sono, enfim, se deu pau, aperta reset, começa-tudo-de-novo-com-persistência-e-força-de-vontade, Você É Uma Pessoa Maravilhosa Que Tem Potencial, então, invista, invente, imagine all the people no msn e você sem internet, a vida não é excitante?

25-11-2007

Mas viveremos

    Nunu me arrastou na corrente, então sigo o fluxo:
 
    "Já não há mãos dadas no mundo"
 
    CDA, Obras Completas, p. 161.

09-11-2007

Às vezes as pessoas lêem O Encontro Marcado

     E me dizem: "Mas é um livro triste!". E eu respondo: E daí?

05-11-2007

Poemas da Vicissitude

    Invenção do Orfeu - Canto Quinto

 

    VIII

 

    A estepe e a noite se deitaram juntas,

    paralelas as asas sobre as asas,

    ambas com as solidões, ambas defuntas,

    e entre elas, sós, ardentes como brasas,

 

    espreitando à direita e à esquerda o estrito

    espaço ínfimo que entre as duas corre,

    correm cruciados como o imenso grito,

    imenso grito mudo de quem morre,

   

    os olhos renegados de quem está

    esperando, esperando. Que esperando?

    Entre a estepe e a noite olham olhos, rente

   

    às trevas opressoras, olhos que a

    estepe e a noite juntas se estreitando

    apagam misericordiosamente.

 

                                                                                                                                                                         Jorge de Lima

04-11-2007

Leitura de saguão

    Os atrasos em aeroportos permitem que as pessoas coloquem as leituras em dia. As pessoas, não sei, mas eu, sim. A Suavidade do Vento, de Cristovão Tezza, é um filme do Woody Allen. Desses que ele lança quando não está muito inspirado, mas garante a diversão. Ah, você já sabe: o pior filme de Woody Allen é melhor que 90% dos filmes atuais etc.
    Já O Diário de Antônio Maria tem algumas belas passagens:
 
    "Conheço-a bem. Mas até onde uma pessoa pode conhecer a outra. Isto é sempre muito pouco. O homem se habitua ao seu mistério e se abriga nele até a morte. Mesmo quando confessa, quando parece contar-se e explicar-se ao máximo, não está mais que causando uma impressão. Diverte-se assim.
    Geralmente gostamos de causar boas impressões. E fabricamos as impressões que gostaríamos de causar. (...) Mas acontece que ver e sentir são atos espontâneos e casuais. Dificilmente, vemos o que nos está sendo mostrado. Quem enfeita um gesto e o realiza com intenção de êxito, perde-o quase sempre, entre outros que foram mais numerosos e eram naturais. Não nos devemos esquecer de que é inútil fazer a nossa beleza. Ela é uma descoberta do próximo. Aqui está, por exemplo, uma flor. Não fez nada para que eu a achasse bela. Fui eu que senti a combinação do seu silêncio com o esmaecimento de seu vermelho. Fui eu que descobri a elegância na inclinação do seu caule para a direita. Sou eu que penso na sua morte e na sua volta. Todas as flores volta sozinhas à sua glória - como a rosa de Rilke. A rosa do Petit Prince julgava-se poderosa ou defendida, porque tinha quatro espinhos. E vejo aqui a minha flor, que não fez o seu silêncio, nem o seu vermelho, nem se inclinou para a direita com intuito de beleza. Eu a vi e senti assim - de modo próprio."
 
     Bem, se você ainda não sabe quem é Antônio Maria, está na hora de se mexer.

Come with me

    Sempre que vou pra Curitiba o São Paulo é campeão brasileiro. No ano passado foi tetra. Agora, penta. Assim como o Flamengo (olhem lá, bando de urubus), que foi tetra em 87 e penta em 92. Vamos fazer assim: o troféu fica em São Paulo mesmo. Aqui a gente não costuma derreter taça. Além do mais, convenhamos, não temos Kléber Leite.
    Quando alguém me perguntar se é possível vibrar com um time que se defende, direi: sim, o tricolor de 2007. Poucas vezes um time teve tantos zagueiros bons, e jovens, e jogando muito. Parecia basquete: defense, defense, defense. Cada corte era um assombro. Cada desarme era um gol. Cada carrinho era uma epifania. Um time inesquecível.
    A noite na Pedreira Paulo Leminski (podiam ter escolhido um "poema" melhor dele pra eternizar mas enfim...), que começou com Björk, essa Ivete Sangalo que veio do frio, terminou com The Killers. Querer mais o quê? Vem que é penta! O único campeão brasileiro no mês de outubro. O campeão com maior aproveitamento e mais pontos da história. Ser são paulino é dificílimo. Ter de disputar torneio estadual depois disso é o fim da picada. Ah, mas estadual, essas coisas a gente deixa pros outros. A menina dos olhos se chama mesmo Libertadores.

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