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31-12-2007
Tudo igualmente diferente
Vai aí, uma do velho Braga - e uma nova do Yamandu:
O ano passou. Não sei se vós, leitor amigo, ou vós, distinta leitora, o passastes bem. Eu, como já passei muitos, os tenho passado de todo jeito, e ainda hoje esse segundo que vem depois da meia-noite me perturba.
Já passei ano só, em terra estranha, ou, o que é mais amargo, na minha; ou andando como um tonto na rua ou afundado num canto de bar ruidoso; ou tentando inutilmente telefonar; dormindo; com dor de dente. E quando digo de todo jeito estou dizendo também de jeito feliz, entre gente irmã ou nos braços de algum amor eterno - braços que depois dobraram a esquina do mês e da vida, e se foram, oh! provavelmente sem sequer a mais leve mágoa nos cotovelos, apenas indo para outros braços.
Passam os anos, passam os braços; mas fica sempre, quando a terra dá outra volta em si mesma, essa emoção confusa de um instante. Conheço pessoas que fogem a esse segundo de consciência cósmica, afetando indiferença, indo dormir cedo como se não estivessem interessadas em saber se esta piorra velha deste planeta resolveu continuar girando ou não. É singular que entre tantas festas religiosas e cívicas nenhuma chegue a ser tão emocionante e perturbe tanto a humanidade como esta, que é a Festa do Tempo. É como se todos estivéssemos fazendo anos juntos; é o Aniversário da Terra.
Se a alma estremece diante do Destino, o espírito se confunde; reina uma tendência à filosofia barata; vejam como eu começo a escrever algumas palavras com maiúsculas, eu que levo o ano inteiro proseando em tom menor, e mesmo o nome de Deus só escrevo assim para não aborrecer os outros, ou para que eles não me aborreçam..
Já ao nome do diabo, não; a esse sempre dei, e dou, o d pequeno, que outra coisa não merece a sua danação. A ele encomendamos o ano que passou - e a Deus, o Novo. Que vá com maiúscula também esse Novo; fica mais bonito, e levanta nosso moral.
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27-12-2007
Juventude
Coetzee é minha mais nova paixão:
"A angústia que pesa sobre Monica Vitti e outros personagens de Antonioni é de um tipo bastante desconhecido para ele. Na verdade, não é angústia, absolutamente, mas algo mais profundo: Angst. Queria ter um gostinho de Angst, mesmo que só para saber como é. Mas, por mais que tente, não consegue encontrar em seu coração nada que possa reconhecer como Angst. Angst parece ser uma coisa européia, especificamente européia; ainda tem de encontrar seu rumo até a Inglaterra, para não falar das colônias da Inglaterra.
Num artigo no Observer, a Angst do cinema europeu é explicada como fruto do medo da aniquilação nuclear; também como a incerteza posterior à morte de Deus. Ele não se convence. Não pode acreditar que o que faz Monica Vitti sair para as ruas de Palermo debaixo da furiosa bola vermelha do sol, quando podia ficar no frescor de um quarto de hotel com um homem a lhe fazer amor, seja a bomba de hidrogênio ou uma falha da parte de Deus, que não fala com ela. Seja qual for a verdadeira explicação, deve ser algo mais complicado que isso."
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23-12-2007
Eu penso em Jack Kerouac
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22-12-2007
Causando uma impressão
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