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27-01-2008

Verdades incontestáveis

  Desde Pimentel, há uma verdade incontestável no futebol: lateral-direito carioca não dá certo no São Paulo.
    Outra, esta desde cinco minutos antes do Nada: todo juiz é ladrão.
    Sim, Joílson deveria ter sido expulso, óbvio. O juiz estava tão mal intencionado que deixou esse brincalhão em campo. 

25-01-2008

Pela valorização do aperitivo

    Vamos falar a verdade: estadual é aperitivo. Porém, há aperitivos e aperitivos, como asseguram as diferentes festas; numas, empadão, noutras, patê de salame. Por isso, esqueçamos libertadores e brasileiros e concentremo-nos no Paulistão. Empatados com o Palmeiras, falta-nos apenas sobrepujar o concorrente de segunda e aí seremos líderes incontestáveis*: cinco brasileiros, três libertadores, três mundiais, um superpaulistão, paro por aqui.
     
    *Obviamente, não foram computados a Copa do Mundo, a Champions League e os campeonatos nacionais europeus, muito menos Taça Maria Quitéria.

23-01-2008

Orgulho e preconceito

    "Não quero que as pessoas sejam muito agradáveis, pois isso me poupa o trabalho de gostar muito delas".

    Jane Austen 

16-01-2008

It's not dark yet

    But it's getting there...

13-01-2008

Que mané Xico Buark o quê

    Xico Buark, pra quem não sabe, é um Nando Reis da MPB: canta mal que só, apesar de compor bem. Reza a lenda de que ele teria escrito Construção pra provar a seus detratores que era um gênio. A genialidade estaria no uso das proparoxítonas: sábado, tráfego, tímido, etc. 
    O fato é que essa revolução toda é uma grande duma besteira: nada mais fácil que botar umas palavras com acento no fim do verso. Muito mais difícil é o que fizeram, pioneiramente, Alvarenga e M. G. Barreto em O drama de Angélica. Além de serem muito mais criativos - o que se nota na escolha das proparoxítonas: estrambólica, alopática, zéfiro -, os dois se dão ao requinte de uns lances metalinguísticos, ó:
 
Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético

Poesia épica,
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica,
Com rima rápida 
 
 
    Quando Xico Buark seria capaz disso? Podemos até recriar a música, trocando as proparoxítonas, tal e qual o Nando Reis da MPB:
 
    Ouve meu ritmo
    Quase esquelético
    Que a voz de um tísico
    Magro cântico
 
    Poesia rápida
    Com rima esdrúxula
    Feita sem épica
    Em forma métrica
 
    E assim ad infinitum. Mas a grande pedra-de-toque, a grande sacada da dupla, além do rigor metódico a la Lusíadas (!!!), foi mesmo a estrofe final, que não vou copiar pra não estragar a surpresa. Notem, apenas, a combinação tão visionária quanto surpreendente dos adjetivos finais - sem contar a referência a um poema de Edgar Poe, cujo nome acabei de me esquecer neste instante, agora, extasiado pelo talento caipira dos nossos compositores, estes sim, verdadeiros gênios da música, brasileira ou não.    

07-01-2008

Napoleão quem?

    Dom Pedro I contava com sete mil homens

    e um punhado de navios velhos

    em 1832 

    Seu irmão Miguel, com um exército de oitenta mil

    e uma frota moderna

    Mesmo assim, Dom Pedro I ganhou

    e aqui eu o saudo

    com três tiros de fuzil

    pá pá pá

 

    (o sabiá e a fuxiqueira caem da janela

 

    não respire ainda, Eliot,

                                      vem aí a terceira bala)

 

    ps

06-01-2008

Estável sob as estrelas

    "A literatura não diz nada aos seres humanos satisfeitos com sua sorte, que se contentam com a vida tal como a vivem. Ela é alimento de espíritos indóceis e propagadora de inconformidade, um refúgio para aquele a quem falta algo na vida, para não ser infeliz, para não se sentir incompleto, sem se realizar suas aspirações. Sair para cavalgar junto ao esquálido Rocinante e seu desbaratado ginete pelos descampados de La Mancha, percorrer os mares em busca da baleia branca com o capitão Ahab, beber o arsênico com Emma Bovary ou nos converter num inseto com Gregor Samsa, é uma maneira inteligente que inventamos para desagravar a nós mesmos das ofensas e imposições dessa vida injusta, que nos obriga a ser sempre os mesmos, quando gostaríamos de ser muitos, tantos quanto exijam para se aplacar os desejos incandescentes de que estamos possuídos.
    A literatura somente apazigua momentaneamente essa insatisfação vital, porém, nesse milagroso intervalo, nessa suspensão provisional da vida na qual nos faz desaparecer a ilusão literária - que parece nos arrancar da cronologia e da história e nos converter em cidadãos de uma pátria sem tempo, imortal -, somos outros. Mais intensos, mais ricos, mais completos, mais felizes, mais lúcidos que na constrangida rotina da nossa vida real." Mario Vargas Llosa
 
    "O tempo é circular, dizem esses eventos; depois da morte de alguém, converso com outro alguém que se lembra dele, ou que quer saber algo a seu respeito; construímos o muro do jardim com as pedras que caíram do celeiro; o que não lembro mais está ali, em algum lugar, em uma das páginas cuidadosamente numeradas de um de meus livros. E eu, claro, vou desaparecer; o novo muro também vai desmoronar; os livros se dispersarão. Mas aquilo de que todos nós fazemos parte, uma pequena parte que seja, vai continuar, estável sob as estrelas. E, aos olhos de um escultor cinzelando a pedra, o todo ficará tanto mais belo com a nossa ausência."  Alberto Manguel 

03-01-2008

Quase matei Paul McCartney!

    Ali estava eu no tédio comentando que devia acontecer algo bombástico, que nem a morte dum beatle, lembra o George morreu nessa época, daí teríamos especiais, quem sabe o Paul, tá, nem precisa ser um beatle, pode ser o Mick Jagger, seilá - e não é que o Paul quase subiu no telhado?

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