« Os blogueiros segundo Pound | HomePage | Ele aceitou a penumbra »
17-02-2008
Já que é domingo...
Se tantas vezes te importuno, ó Deus meu vizinho,
atendo forte à tua porta na noite extensa,
é porque te ouço respirar, da tua presença
sei: estás na sala, sozinho.
Se de algo precisares, não há ninguém ali
que possa te trazer um gole d’água sequer.
Vivo sempre à escuta. Dá-me um sinal qualquer.
Estou bem perto de ti.
Entre nós há apenas um muro, coisa pouca,
por mero acaso áliás;
bem pode ser que um grito da tua ou minha boca –
e eis que se desfaz
sem só rumor ou ruído.
Com imagens tuas o mundo foi construído.
Diante de ti tuas imagens são como nomes.
e quando um dia dentro de mim esteja acesa
a luz com que te conhece minha profundeza,
será, nas molduras, brilho que se esbanja e some.
E os meus sentidos, que um torpor célere consome,
estão sem pátria, exilados da tua grandeza.
Rainer Maria Rilke
00:00 Escrito em Poesia | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail
Comentários
aqui, sem querer interferir na grandeza do poema de Rilke (que gosto pra caramba), mas este troço de sentidos exilados é um perigo. vai que qdo a pátria se apresenta os exilados esqueçam de voltar à ativa? :)
que pecado né? eu aqui brincando com um poema genial. e na primeira vez que aqui me apresento!! mas foi um prazer, garoto.
beijocas
Escrito por: loba | 18-02-2008
psiu...
Não precisamos gritar...
Escrito por: Cherry | 18-02-2008
É isso que eu digo: tanta enrolação pra dizer que pretende, finalmente, crer em Deus. E nem ficou tão bonito assim, falasério... :-| Um bjo, guardião do meu céu :-)
Escrito por: Shi | 19-02-2008















