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29-02-2008
Pensar com meus botões
Senhor Palomar c’est moi! Acordo e preciso escovar os dentes, lavar a cara, desabotoar o pijama. Enquanto abro os botões penso em como inventaram o botão. Porque o botão não é apenas um botão, certamente houve uma grande evolução até o que conhecemos hoje por botão. Metafísico, pergunto ao espelho: o que é um botão? Mas o espelho é mudo e o que há é uma cara amassada, cabelos desgrenhados e sono.
Fico pensando com meus botões. Aliás, pensar com botões é uma atividade que ainda se mantém viva, embora os botões sejam raros. A própria expressão é uma metáfora do pensamento: botão pressupõe fios, fios pressupõem conexões; fica fácil concluir que pensar é pregar um botão na idéia. Jamais houve companheiro melhor que um botão, tanto é que jamais ouvi alguém dizer: fiquei pensando com meu cão. Ouso afirmar até que o botão é o melhor amigo do homem.
No início o botão servia como acessório indispensável, não apenas um botão, como diz aquela canção ainda não escrita – tu és apenas mais um botão na minha camisa. Ele se transformou em coisa supérflua depois do zíper. Os vestidos têm aquele bendito zíper nas costas, o que toda mulher pede ao seu homem: dá cá uma mãozinha, querido! Com os botões também era assim, contudo, os tempos eram outros, havia criadas para abotoar o vestido. E era menos prático, claro. Mais charmoso também.
O botão representa uma época que não existe mais. Um tempo vagaroso, de alfaiates. O chamado tempo do caramujo. O zíper é um símbolo da modernidade: rápido e violento. Desabotoar a roupa amada exige paciência e requinte. Não há pressa. É um elogio das pequenas coisas. Quem pode abrir um vestido botão por botão tem um conhecimento sábio do mundo. O deleite de se dedicar ao prazer de desabotoar. Ou como diz o ditado: eu sou do tempo em que paletó tinha botão. Satisfeito, tiro o pijama e começo o dia.00:50 Escrito em Textos | Permalink | Comentários (7) | Enviar por e-mail
21-02-2008
Ele aceitou a penumbra
00:00 Escrito em Literatura | Permalink | Comentários (6) | Enviar por e-mail
17-02-2008
Já que é domingo...
Se tantas vezes te importuno, ó Deus meu vizinho,
atendo forte à tua porta na noite extensa,
é porque te ouço respirar, da tua presença
sei: estás na sala, sozinho.
Se de algo precisares, não há ninguém ali
que possa te trazer um gole d’água sequer.
Vivo sempre à escuta. Dá-me um sinal qualquer.
Estou bem perto de ti.
Entre nós há apenas um muro, coisa pouca,
por mero acaso áliás;
bem pode ser que um grito da tua ou minha boca –
e eis que se desfaz
sem só rumor ou ruído.
Com imagens tuas o mundo foi construído.
Diante de ti tuas imagens são como nomes.
e quando um dia dentro de mim esteja acesa
a luz com que te conhece minha profundeza,
será, nas molduras, brilho que se esbanja e some.
E os meus sentidos, que um torpor célere consome,
estão sem pátria, exilados da tua grandeza.
Rainer Maria Rilke
00:00 Escrito em Poesia | Permalink | Comentários (3) | Enviar por e-mail
07-02-2008
Os blogueiros segundo Pound
00:10 Escrito em Textos | Permalink | Comentários (15) | Enviar por e-mail
A ganância é um prato que se come quente
00:00 Escrito em Bob Dylan | Permalink | Comentários (0) | Enviar por e-mail















