07-07-2008

O Sonho de Cassandra

   É aquela velha história: Woody Allen, por pior que seja, é Woody Allen e isso equivale a dizer - meu time é ruim, mas vou ver essa porcaria de jogo (aliás, que empate trágico!). Bem, isto posto: O Sonho de Cassandra é, dos 3 filmes com a mesma temática, o piorzinho. Primeiro, porque tem Colin Farrel. Na boa, quem leva a sério um sujeito cuja melhor atuação é o cigarro que segura entre os dedos? Aliás, ele deve ter adquirido um câncer no pulmão com esse filme. Segundo, porque não tem Scarlet. Terceiro, ora, precisa mais?
   Quando vejo os filmes de Woody, tenho sempre a sensação de que pertenço a algum deles. No fim, tudo dá certo, dizia o poeta. E se não deu, bem, é porque o filme é ruim.

02-10-2007

Sessão da tarde

    É preciso dizer que dois dos maiores momentos da Sessão da Tarde estão inevitavelmente ligados ao rock: o solinho de Marty em De volta para o futuro; e nosso ídolo Ferris cantando o clássico dos beatles no meio da avenida em Curtindo a vida adoidado - falaí, matar aula, roubar o cadilac vermelho do pai do seu amigo, tirar sua namorada das garras malignas do diretor da escola e ainda fazer isso, francamente. Repare no momento Michael Jackson.
    (Na verdade, o grande personagem de Curtindo a vida adoidado, que título!, é o Cameron.) 
    Depois, insanidade!, ainda criticam a indústria cultural, etc. Que se matem lendo Goethe. 

07-08-2007

Sobre glória e dinheiro

    Essa história de jogar ovos pela janela tem um pouco a ver com aquele diálogo entre o Sharp e o General Custer, naquele filme O intrépido General Custer: "Brindemos ao dinheiro! Ao dinheiro, sim. Mas há algo mais sobre a glória: você poderia levá-la com você quando chegar a sua hora".
    O Boninho leva a glória de nos ter dado uns quinze Biguibróders. O único pecado dele foi ter ensinado a receita do ovomolotov. Te cuida, rapá. A tua hora vai chegá.

02-08-2007

Sugestão

  Em meu trabalho o personagem principal jamais deve dizer exatamente o que pensa, as coisas não devem ser diretas. Creio que jamais se ouviu um "eu te amo" em meus filmes, pois é algo que não consigo imaginar. As situações de um filme a outro podem ser diferentes, mas acredito que os personagens que mostro, e sua concepção da vida, permanecem os mesmos. 
 
    Não acho que as coisas devam ser inteiramente originais. Sou a favor de grandes laços com a tradição, com o que já existe.
 
    François Truffaut 

Numa espécie de febre

    No início, a sinceridade é algo muito importante. Pode ser suficiente para nos impormos, para dizermos: 'Estou aqui'. Sobretudo num primeiro filme. Depois, há a noção de carreira. A sinceridade não basta mais. É necessário se ter uma certa habilidade. Forjamos leis para nós mesmos, às quais passamos a obedecer. Acabamos um pouco obcecados em relação a todos os elementos. E corremos o risco de fazer um cinema frio. De modo que precisamos fazer as coisas numa espécie de febre.
 
    François Truffaut

O excesso de luz massacra a ficção

    Porque com a luz vê-se tudo na imagem, então o mistério desaparece. De modo geral, a versão noturna de uma cena é sempre preferível à sua versão diurna, pois é mais enigmática: a noite estimula a imaginação. É como se fotografássemos alguém: de rosto inteiro, é apenas ele próprio, mas se ao invés do rosto enquadramos uma parte do ombro ou da nuca, já temos o começo de uma história. Em meu trabalho, guio-me sempre pela aversão ao documentário, que aquilo que apresenta as coisas e os seres sem o encanto da ficção. Ora, o excesso de luz massacra a ficção, comprime-a contra ela mesma e acaba por empobrecê-la.

    François Truffaut

A descoberta do cinema

    Todo mundo acha misteriosa a profissão de cineasta. Sentimos isso nas perguntas que nos fazem e às quais temos muita dificuldade de responder. Durante a guerra, perguntei a um adulto: "Em quanto tempo se faz um filme?" Ele me respondeu: "Em três meses." Fiquei sabendo que o que se passava na tela em duas horas era filmado em três meses. Acabava de descobrir o que as pessoas normalmente sabem. Agora, no interior desses três meses, tudo é mistério. Na verdade, pensei no interesse que haveria em se fazer um filme sobre o cinema todas as vezes que me encontrei filmando, pela simples razão de que acontecem sempre muitas coisas surpreendentes, engraçadas, curiosas ou interessantes, mas que não serão usufruídas pelo público, pois acontecem à margem das gravações.
    Percebemos melhor a extravagância das filmagens de cinema quando temos como personagem principal um ator que nunca filmou, pois redescobrimos quão estranho é esse metiê através de seus olhos, e mais ainda quando se trata de uma criança. Lembro-me de ter feito uma visita ao set de A baía dos anjos (La Baie des Anges), que Jacques Demy filmava, com Jeanne Moreau. Havia um garoto, Claude Mann, que nunca filmara. Numa das cenas, ele devia entrar num quarto de hotel com Jeanne Moreau e acender a luz. No momento da filmagem, ao colocar a mão no interruptor ele percebeu que não era ele quem acendia a luz, mas um eletricista do lado de fora, então caiu na gargalhada e a filmagem teve de ser interrompida. Lembro-me disso como de um incidente muito bonito: é a descoberta do cinema.
 
    François Truffaut

16-07-2007

A essência das coisas

    Eu poderia abandonar uma relação amorosa por um filme, mas jamais abandonaria um filme por uma relação amorosa.
 
    François Truffaut 

30-04-2007

Porque Tarantino é decididamente um gênio

    Selton Mello e Seu Jorge (relevem, relevem) em Tarantino's Mind. Putamerdamente genial.