07-07-2008

Viva la vida?

   Que Chris Martin tenha se casado com aquela atriz cujo nome não sei escrever, não admira. Agora, que o Coldplay tenha gravado seu novo álbum em catedrais espanholas, que tenha batizado o disco com nome de música do Rick Martin, que tenha feito músicas grandisosas com cornetas e anjos medievais...tudo bem, podemos conviver com isso.
   Mas que história é essa de não fazer mais músicas tristes? Eu sou testemunha: como um amigo tivesse o coração partido, dei-lhe todos os cds do Coldplay - toma, corta os pulsos. Claro, não precisava bombar Yellow pela casa durante 15 dias seguidos, mas isso não vem ao caso, que é o seguinte: pode alguém cortar os pulsos ouvindo Viva la vida etc (quem tem coragem de escrever esse título inteiro?)?
   A resposta é não. Que temas são esses? Cavaleiros, Jerusalém, Japão. Sinceramente, quando vi que Chris Martin estava em processo de Bonovoquix-ação, temi pelo novo disco. O rock não tem que salvar o mundo. Basta salvar eu e você.

05-05-2008

Afinação da exterioridade

    Depois ainda tem gente que não entende por que diabos Radiohead é bom, muito bom, mais do que bom.

13-01-2008

Que mané Xico Buark o quê

    Xico Buark, pra quem não sabe, é um Nando Reis da MPB: canta mal que só, apesar de compor bem. Reza a lenda de que ele teria escrito Construção pra provar a seus detratores que era um gênio. A genialidade estaria no uso das proparoxítonas: sábado, tráfego, tímido, etc. 
    O fato é que essa revolução toda é uma grande duma besteira: nada mais fácil que botar umas palavras com acento no fim do verso. Muito mais difícil é o que fizeram, pioneiramente, Alvarenga e M. G. Barreto em O drama de Angélica. Além de serem muito mais criativos - o que se nota na escolha das proparoxítonas: estrambólica, alopática, zéfiro -, os dois se dão ao requinte de uns lances metalinguísticos, ó:
 
Ouve meu cântico
Quase sem ritmo
Que a voz de um tísico
Magro esquelético

Poesia épica,
Em forma esdrúxula
Feita sem métrica,
Com rima rápida 
 
 
    Quando Xico Buark seria capaz disso? Podemos até recriar a música, trocando as proparoxítonas, tal e qual o Nando Reis da MPB:
 
    Ouve meu ritmo
    Quase esquelético
    Que a voz de um tísico
    Magro cântico
 
    Poesia rápida
    Com rima esdrúxula
    Feita sem épica
    Em forma métrica
 
    E assim ad infinitum. Mas a grande pedra-de-toque, a grande sacada da dupla, além do rigor metódico a la Lusíadas (!!!), foi mesmo a estrofe final, que não vou copiar pra não estragar a surpresa. Notem, apenas, a combinação tão visionária quanto surpreendente dos adjetivos finais - sem contar a referência a um poema de Edgar Poe, cujo nome acabei de me esquecer neste instante, agora, extasiado pelo talento caipira dos nossos compositores, estes sim, verdadeiros gênios da música, brasileira ou não.    

04-11-2007

Come with me

    Sempre que vou pra Curitiba o São Paulo é campeão brasileiro. No ano passado foi tetra. Agora, penta. Assim como o Flamengo (olhem lá, bando de urubus), que foi tetra em 87 e penta em 92. Vamos fazer assim: o troféu fica em São Paulo mesmo. Aqui a gente não costuma derreter taça. Além do mais, convenhamos, não temos Kléber Leite.
    Quando alguém me perguntar se é possível vibrar com um time que se defende, direi: sim, o tricolor de 2007. Poucas vezes um time teve tantos zagueiros bons, e jovens, e jogando muito. Parecia basquete: defense, defense, defense. Cada corte era um assombro. Cada desarme era um gol. Cada carrinho era uma epifania. Um time inesquecível.
    A noite na Pedreira Paulo Leminski (podiam ter escolhido um "poema" melhor dele pra eternizar mas enfim...), que começou com Björk, essa Ivete Sangalo que veio do frio, terminou com The Killers. Querer mais o quê? Vem que é penta! O único campeão brasileiro no mês de outubro. O campeão com maior aproveitamento e mais pontos da história. Ser são paulino é dificílimo. Ter de disputar torneio estadual depois disso é o fim da picada. Ah, mas estadual, essas coisas a gente deixa pros outros. A menina dos olhos se chama mesmo Libertadores.

30-10-2007

It's the best thing that you ever had

    Voz & violão ainda é tudo o que é preciso pra se fazer música. Um dia, um dia eu aprendo a cantar.

28-10-2007

Embora haja tanto desencontro

    Lá estarei eu em Curitiba a partir de terça para ver o Tim Festival - quase um indie, eu. Quem estiver por lá, ou for dali, grite logo. Quem sabe a gente se esbarra no mistério do planeta e pela lei natural dos encontros a gente deixa e recebe uns outros tantos.

13-10-2007

Coisas do mundo, minha nêga

15-08-2007

I said that

    O Juka Kfouri escreveu isso há pouco:

    "Pode-se enganar a alguns durante muito tempo; pode-se enganar a muitos durante algum tempo; mas não se pode enganar a todos durante todo o tempo", ensinou Abraham Lincoln, sem nem pensar no COB, na CBF, na MSI, nos cubanos deportados ou na programação esportiva da TV aberta no país.

   *** 

    O Bob Dylan cantou coisa parecida, de forma muito mais bela.

29-06-2007

"A gente queria tocar ao vivo, a gente se garante mais"

    Eu sou mais Paralamas. Os outros vídeos aqui.

24-06-2007

Creep

    Animação.
    Sem guitarras Creep fica meio murcha - saudade daquela guitarra antecipando o refrão.

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