16-01-2008
It's not dark yet
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03-01-2008
Quase matei Paul McCartney!
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28-10-2007
Nota social
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09-09-2007
O dia pela noite
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10-02-2007
Queremos violência
(e faça o favor de clicar no link final, caramba!)
"Queremos violência", de Arthur Dapieve, no fim de 2004, horrendamente atual numa semana em que todos morremos um pouco presos no cinto de segurança:
Os três últimos sábados na vida deste carioca aqui. No dia 20 de novembro, a equipe do guia "Rio Botequim" voltava de uma excursão pelos subúrbios quando trombou com o tradicional tiroteio noturno na Linha Vermelha.
No dia 27, a equipe do GNT esperava cessar o tradicional tiroteio matinal na Rua Itapiru para começar a gravar o quadro "Sem controle".
No dia 4 de dezembro, três amigos moradores do Jardim Botânico se queixavam que haviam sido acordados por um intenso tiroteio nas ruas do bairro.
Contei-lhes que, lá pelas três da matina, o réveillon parecia ter sido antecipado em Laranjeiras, onde sou vizinho da Sra. Rosângela Matheus e do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM, tal a quantidade de fogos a saudar a chegada de pó num morro da região, difícil dizer se Pereirão, Vila Alice ou Cerro Corá na madrugada.
Não tenho mais nenhuma indignação, nenhuma palpitação a lhes relatar. O que me chamou a atenção nos três ou quatro episódios — houve um outro tiroteio, vespertino, na subida para Santa Teresa, coisa banal, ouvida de casa — foi a aguda sensação de normalidade. Em mim, nos outros, nos circunstantes. Estávamos em paz.
Na altura da Favela da Maré, confrontados com o fogo cruzado, os carros e ônibus davam meia-volta, simplesmente, organizadamente, resignadamente, sem pânico ou buzinas. No desfiladeiro do Rio Comprido, os moradores continuavam a ir às compras entre as salvas deA R-15. Meus amigos lamentavam mais ter perdido o sono do que a tranqüilidade. E eu me regozijava de que ainda não tinha dormido quando do foguetório.
Ocorreu-me, então, o seguinte.
Tanto os defensores da tolerância zero quanto os pregadores da tolerância máxima tratam a violência como uma disfunção do sistema. Se sanadas determinadas falhas (falta de policiamento, falta de condições dignas de sobrevivência etc.), ela naturalmente desapareceria, este é o seu credo comum. Era o meu. No último mês, caiu-me a ficha: a violência é o sistema ou, ao menos, o seu mais rentável produto.
Lembrei-me da frase "guerra é paz".
Uma das características dos grandes livros é que eles miram no que vêem e (também) acertam no que não vêem. George Orwell tinha em mente os horrores do nazismo e do stalinismo quando, em 1948, escreveu "1984". No processo, explicava a Guerra Fria, a paz armada entre as superpotências nucleares, cada qual com sua órbita de influência. Contudo, talvez sem plena consciência disso, Orwell criava um modeloválido na interpretação de certas situações de força. Inclusive as do Brasil e, em particular, do Rio.
Em "1984", o mundo tem três superpotências: Oceania (Américas, Austrália, Inglaterra, África do Sul), Eurásia (Europa e Rússia) eLestásia (China e Japão). Numa ou noutra aliança circunstancial, elas vivem em estado de guerra permanente entre si, apesar de não teremmais lançado mão de seus arsenais atômicos depois da guerra de 1950.
O herói do livro é Winston Smith, burocrata subalterno do Ministério da Verdade, encarregado de reescrever continuamente os arquivos do jornal londrino "The Times" de modo que o passado não desminta o presente. Certo dia, entretanto, ele descobre um livro proscrito: "Teoria e prática do coletivismo oligárquico", de um certo Emmanuel Goldstein.
Às escondidas, Smith lê que, no seu mundo, nada é bem o que parece. Constatado o equilíbrio de forças entre as três superpotências, o único objetivo da guerra crudelíssima entre elas é a própria guerracrudelíssima, (i)mobilizadora das consciências, com a conseqüenteeternização do status quo das oligarquias de Oceania, Eurásia e Lestásia.
"A guerra, tornando-se contínua, mudou fundamentalmente de caráter", escreve Golstein/Orwell. "No passado a guerra era, quase por definição, algo que mais cedo ou mais tarde chegava ao fim, em geral em inconfundível vitória ou derrota. (...) A guerra de hoje é, portanto, uma impostura. É como os combates entre certos ruminantes, cujos chifres são dispostos em ângulo tal que não podem ferir um ao outro." E aqui estamos quase ao final de 1984 + 20.
Nossas Oceania, Eurásia e Lestásia atendem por tráfico, polícia e Estado. Os traficantes eternizam seu poder sobre as comunidades não só pela violência mas como alternativa local à polícia e à ausência do Estado. A polícia, por sua vez, financia sua necessidade para a sociedade com sua truculência, venda de armas tomadas de uma facção criminosa a outra, vista grossa ao transporte de drogas aos morros, que não as produzem, etc. O Estado, entendido como executivos, legislativos e judiciários, todos no mesmo saco, não tem interesse em acabar com tal situação, seja valorizando a polícia, seja dando à população uma vida decente, porque a guerra é rentável politicamente, quando não pela ligação direta com o crime. O Estado ainda quer criar o Ministério da Verdade.
A violência, por conseguinte, não é uma anomalia do sistema. É seu ganha-pão. Por isso, de nada adianta a óbvia constatação de que há bons PMs ou deputados. Eles são neutralizados pela estrutura. Acabar com a carnificina, então, é acabar com este Brasil. Pergunta a ser respondida, clássica nos romances policiais: a quem interessa o crime?
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08-04-2006
Nada de novo sob o sol
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