<?xml version="1.0" encoding="utf-8"?> <?xml-stylesheet type="text/xsl" href="/rss20.xsl" media="screen"?> <rss xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd" version="2.0"> <channel> <title>Labirinto do Não - pintura</title> <description>&amp;quot;Dos dioses hay, y son: Ignorancia y Olvido&amp;quot; - Rubén Darío</description> <link>http://labirintodonao.blogspirit.com/pintura/</link> <lastBuildDate>Fri, 29 Aug 2008 08:50:03 +0200</lastBuildDate> <generator>blogSpirit.com</generator> <copyright>All Rights Reserved</copyright>  <item> <guid isPermaLink="true">http://labirintodonao.blogspirit.com/archive/2006/05/20/starry-starry-night.html</guid> <title>&quot;Mas, o que é que você quer?&quot;</title> <link>http://labirintodonao.blogspirit.com/archive/2006/05/20/starry-starry-night.html</link> <author>noreply@blogspirit.com (Gabriel)</author>   <category>Pintura</category>   <pubDate>Mon, 22 May 2006 09:15:00 +0200</pubDate> <description> &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Van Gogh foi um mártir. Somente um mártir pode afirmar que &lt;i&gt;sofrer sem reclamar é a única lição que deve ser aprendida nesta vida&lt;/i&gt;. Pouca gente deve ter sofrido mais do que Van Gogh. Tanto fisica como mentalmente. Seu drama começa no próprio nascimento. Vincent veio ao mundo um ano exato após a morte do primogênito da família, que possuía o mesmo nome. Há quem sustente que isto o atormentou pela vida inteira, porque sentia como se tivesse tomado o lugar do irmão natimorto, etc. A história não começa bem.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando adulto, quis ser pastor. Não teve sucesso e foi desacreditado pela família. Não teve sucesso porque vivia em condições miseráveis, ajudando mineiros numa vilazinha qualquer graças à sua alma caridosa. Um pastor não podia viver daquele modo, disseram-lhe. Decidiu-se pintor. Só vendeu um quadro em vida, isto porque o comprador era amigo de seu irmão, o Théo. Em mais um gesto de caridade, assumiu o filho de uma mulher desequilibrada. Apaixonou-se por uma prima e foi rejeitado.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tentou de todas as maneiras alcançar comunhão com os outros pintores. Conseguiu trazer Cézanne para morar em sua casa. Após atacá-lo, arrependeu-se e cortou a orelha. Entregou a orelha pruma prostituta. Voltou pra casa e ficou sangrando.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi salvo pelo carteiro Roulin. Recuperou-se. Os vizinhos em Arles chamavam a polícia a cada atitude suspeita do holandês. Internou-se em sanatórios na última tentativa de recuperar a sanidade mental. Em vão.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Este é um breve resumo da vida de Van Gogh, meu pintor preferido. Em vão parece ser a expressão certa. Toda sua vida parece ter sido em vão: tudo o que procurou, Vincent não encontrou - amor, dinheiro para se alimentar, amigos, comunhão. Infelizmente os gênios são incompreendidos porque a sociedade em que ele vive é sempre atrasada demais para suas idéias. Existem pessoas que estão na linha de frente do tempo e que sofrem imensamente por isto. É o preço que se paga. Rimbaud foi outro: sua vida e sua obra são grandíssimos socos no estômago de todas as pessoas. Quando penso nos dois - e no que sofreram - não acredito que estamos melhores do que antes de suas passagens pela Terra.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É Artaud quem tem a palavra: &quot;Não conheço um só psiquiatra capaz de perscrutar um rosto de homem com força tão esmagadora, e como que a trincho dissecar-lhe a irrefragável psicologia. &lt;a href=&quot;http://www.abcgallery.com/V/vangogh/vangogh84.html&quot;&gt;O olhar de Van Gogh&lt;/a&gt; está pendurado, aparafusado, está envidraçado atrás das pálpebras quase inexistentes, das sobrancelhas magras e sem nenhuma ruga. É um olhar que fura a direito, trespassa neste rosto feito a podão como uma árvore bem talhada. Mas Van Gogh captou o instante em que a íris vai despejar-se no vazio, em que esse olhar, que sai ao nosso encontro como a bomba de um meteoro, ganha a cor átona do vazio e do inerte que o preenche. Melhor do que qualquer um psiquiatra deste mundo, o grande Van Gogh situou assim a sua doença.&quot;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As cartas de Vincent para seu irmão são das coisas mais dolorosas que uma pessoa pode ter escrito:&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &quot;Na vida de um pintor, talvez a morte não seja o mais difícil. Eu confesso não saber nada a respeito, mas &lt;a href=&quot;http://www.artquotes.net/masters/vangogh/vangogh_starrynight.htm&quot;&gt;a visão das estrelas sempre me faz sonhar&lt;/a&gt;, &lt;i&gt;tão simplesmente&lt;/i&gt; quanto me fazem sonhar os pontos negros representando cidades e aldeias num mapa geográfico. E eu me pergunto por que os pontos luminosos do firmamento nos seriam menos acessíveis que os pontos negros do mapa da França? Se tomamos o trem para ir a Tarascon ou a Rouen, tomamos a morte para ir a uma estrela. O que certamente é verdadeiro neste raciocínio, é que estando &lt;i&gt;na vida&lt;/i&gt; nós &lt;i&gt;não&lt;/i&gt; podemos ir a uma estrela, assim como estando mortos não podemos tomar o trem. Enfim, não me parece impossível que a cólera, as pedras, a tísica, o câncer, sejam meios de locomoção celeste, assim como os barcos a vapor, os ônibus e a estrada de ferro são meios terrestres.&quot;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Now I think I now what you tried to say to me and how you suffered for your sanity and how you tried to set them free. Não precisei morrer para tomar o trem celeste. Há algo no modo como os pontos luminosos brilham nos quadros de Van Gogh que não sei explicar. Aliás, Van Gogh pra mim é o único que faz valer aquela frase &quot;uma imagem vale mais que mil palavras&quot;. Não creio que seja possível transmitir em palavras tudo o que ele transmite em suas telas.&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; É sabido que, devido ao seu gênio, Vincent brigou inúmeras vezes com Théo. O pintor holandês achava que seu irmão não estava negociando corretamente seus quadros e por isso eles não eram vendidos. É em sua última carta, encontrada no bolso do colete, que Van Gogh dá um grande nocaute em todos nós:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;i&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &quot;Pois bem, em meu próprio trabalho arrisco a vida e nele minha razão arruinou-se em parte - bom -, mas pelo quanto eu saiba você não está entre os mercadores de homens, e você pode tomar partido, eu acho, agindo realmente com humanidade, mas, o que é que você quer?&quot;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Théo morreu seis meses depois. Há perguntas que são devastadoras, justamente por sabermos suas respostas - mas fugirmos, covardemente, delas.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; &lt;div align=&quot;justify&quot;&gt;&lt;/div&gt; </description>  </item>  </channel> </rss> 